CULTURA

COPYRIGHT MICHEL SOARES

Raízes Africanas  
A Celebração de Iemanjá e a Herança Cultural Baiana
A cultura baiana é profundamente enraizada na ancestralidade africana, refletindo-se em sua religiosidade, estética e expressões artísticas. As fotografias deste projeto capturam a celebração do 2 de fevereiro, dia dedicado a Iemanjá, a divindade das águas e mãe dos orixás no Candomblé e na Umbanda. Essa festa, uma das mais emblemáticas de Salvador, Bahia, reúne fiéis, devotos e admiradores em um espetáculo de fé e tradição.
A Estética e a Identidade Visual
As imagens retratam elementos simbólicos da cultura afro-brasileira, como os trajes brancos, adornados com rendas e contas, que representam pureza e conexão espiritual. A textura dos tecidos, os acessórios cuidadosamente escolhidos e os detalhes dos turbantes e colares são marcas da estética afro-baiana, herança de uma resistência cultural que atravessa séculos. Cada fotografia carrega uma narrativa visual que remete ao sincretismo religioso e à fusão de elementos africanos e brasileiros.
A Fé e o Simbolismo
A expressão dos participantes transmite intensidade e devoção, evidenciando a forte presença espiritual que permeia a festa. As oferendas ao mar, os cânticos e os gestos ritualísticos demonstram o compromisso com a tradição e a veneração a Iemanjá. A foto das mãos firmemente segurando o instrumento de percussão simboliza a força rítmica dos tambores, que ecoam as batidas do coração da diáspora africana no Brasil.
A Religiosidade e a Ancestralidade
O Candomblé e a Umbanda são pilares da cultura baiana, e a festa de Iemanjá reforça a importância dos orixás como guias espirituais. O respeito à tradição e o conhecimento transmitido de geração em geração são evidentes nos rostos das mulheres retratadas, muitas delas matriarcas e guardiãs do saber ancestral. Os gestos, olhares e posturas refletem uma reverência à memória dos antepassados, que moldaram a identidade cultural do povo baiano.
Herança Cultural e Resistência
As fotografias não são apenas registros documentais, mas testemunhos visuais de uma cultura que resiste ao tempo e à marginalização. A música, a dança, os rituais e as vestimentas representam a luta pela preservação da identidade afro-brasileira. Esses retratos ecoam a mensagem de que a Bahia não seria a mesma sem suas raízes africanas, que permeiam desde a religiosidade até as manifestações artísticas e cotidianas.
Marés de Resistência: 
O Legado Negro na Pescaria
Na vastidão das águas e na aspereza da areia, mãos marcadas pelo tempo e pelo sal narram histórias de luta, tradição e sobrevivência. Marés de Resistência é um subquadro do projeto Raízes Africanas, um mergulho visual na pescaria como símbolo da resiliência e da conexão do povo negro com o mar.
Através das lentes, o ciclo da pesca se desdobra: do corte do peixe à isca lançada, da paciência na espera ao sustento arrancado das águas. A mão negra, calejada e coberta por escamas, emerge como o epicentro dessa narrativa – testemunho de um legado que transcende gerações.
A pesca aqui não é apenas um ofício; é um ato de resistência e uma herança cultural. Para muitos, é o sustento da família, para outros, uma troca de sobrevivência, um escambo ancestral que remonta a tempos imemoriais. O sol que arde sobre a pele, o cansaço que pesa nos ombros, a força que move os gestos: tudo se inscreve na história daqueles que, dia após dia, se lançam ao mar em busca de vida.
Esse conjunto de fotografias se entrelaça com os outros pilares do Raízes Africanas, dialogando com a estética, a fé e a ancestralidade que sustentam a identidade negra. Enquanto as festas e os rituais ecoam nas ruas, nos atabaques e nos cânticos, a pescaria segue seu curso silencioso, reafirmando sua importância como pilar da cultura afro-brasileira.
Entre o sal e o suor, entre a espera e o movimento, Marés de Resistência resgata, celebra e eterniza a força de um povo que encontra no mar não apenas alimento, mas também uma profunda conexão com sua própria história.
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"Ritmos e Raízes – O Coração Ancestral do Pelourinho"
O Pelourinho pulsa como um epicentro de resistência, cultura e identidade. Neste conjunto de fotografias, cada imagem se entrelaça com o passado e o presente, revelando a força da herança afro-brasileira em suas mais diversas manifestações.
O samba de roda, com sua cadência hipnótica, ecoa os tambores da ancestralidade, enquanto o candomblé e o sincretismo religioso se fazem presentes nos detalhes, nos olhares e nos gestos. A energia coletiva é intensa, carregada de história e tradição, onde cada rosto e cada corpo em movimento contam uma narrativa de luta, celebração e pertencimento.
A mulher negra, símbolo de resistência e centralidade na cultura afro-brasileira, aparece com força e elegância, reafirmando seu papel como guardiã desse legado. A moda, os acessórios, as expressões e os ritmos capturados revelam não apenas tradição, mas também estilo e inovação, mostrando que a ancestralidade continua viva e em constante transformação.
Parte do projeto Raízes Africanas – Um Legado de Resistência e Cultura, estas imagens registram a essência vibrante do Pelourinho, destacando sua importância como símbolo da cultura afrodescendente e sua permanência na identidade brasileira.
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O Cangaço e a Resistência: 
Ecos de uma Herança Afro-brasileira
O cangaço, movimento que marcou o sertão nordestino do Brasil entre o final do século XIX e início do século XX, é um símbolo de resistência e luta contra as injustiças sociais. Liderados por figuras como Lampião e Maria Bonita, os cangaceiros desafiavam o poder estabelecido, representando a insatisfação de um povo marginalizado e oprimido pelas elites da época.
As imagens capturadas na Lavagem do Bonfim em Salvador trazem à tona uma encenação teatral que revive essa história de luta e resistência. O cangaço, com suas vestimentas marcantes, suas expressões intensas e seus gestos de bravura, carrega em si a força da ancestralidade, um reflexo das heranças africanas presentes no Brasil.
O projeto Raízes Africanas busca justamente destacar essas conexões históricas e culturais, evidenciando como a resistência e a luta por dignidade sempre estiveram no cerne da cultura afro-brasileira. Assim como os cangaceiros resistiram contra as injustiças, o povo afro-brasileiro construiu sua trajetória a partir da luta por liberdade e reconhecimento.
Essa série fotográfica é uma homenagem a todos aqueles que, ao longo da história, desafiaram as opressões e mantiveram viva a chama da cultura e da identidade afro-brasileira. Ela convida o espectador a refletir sobre as diversas formas de resistência e sobre o poder que existe em manter vivas as nossas raízes culturais.
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